Três dias.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Três dias.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Deixe-me entrar
terça-feira, 26 de abril de 2011
Cenas Inesquecíveis: O poderoso tango de “Moulin Rouge!”

Mas, como o nome disso é “cenas inesquecíveis”, eu não posso colocar o filme todo aqui. Então, obedecendo a essa limitação que me imponho, escolhi a cena que mais me impactou da primeira vez que assisti ao filme, e arrepiou todos os meus pêlos, até nos lugares mais secretos (e ainda arrepia). É o El Tango de Roxanne, o momento em que o Argentino Narcoléptico decide mostrar a Christian a força avassaladora do ciúme (especialmente se sua amada é uma mulher da vida), e para tanto apresenta-o a uma “dança dos bordéis de Buenos Aires”.
Primeiro, o Argentino nos oferece uma breve explicação sobre os passos do tango:
“Primeiro, há o desejo. Depois... paixão! Então, suspeita. Ciúmes! Raiva! Traição! No amor pela melhor oferta, não há confiança. Sem confiança, não há amor! O ciúme! Sim, o ciúme... vai levá-lo à loucura!”
Claro que a tragédia maior ainda está por vir: os passos do tango se confundem com o jantar do Duque com Satine (Nicole Kidman, aliás, é uma diva neste papel), desde o desejo até o ápice do ciúme – e para notar isso basta observar o momento em que o Argentino agarra os braços de Nini, com força, e o Duque faz o mesmo movimento com Satine, quando já está possesso de ciúmes. À medida que a música avança, o Duque avança em seu ataque, e a dança fica cada vez mais agressiva e dolorosa. O tango, torna-se, então, a síntese de toda a história trágica de Christian e Satine, e quando Nini cai no fim da cena, ao som dos gritos de Christian, do Argentino e do maravilhoso coro, vemos ali um anúncio do triste destino da própria Satine. Tudo na dança é perfeitamente equilibrado, como os olhares de Nini que se desviam dos do Argentino, e sua tomada nos braços de vários outros amantes, e a consequente recusa que ela sofre por parte do amado depois; e tudo isso se referindo ao próprio enredo do filme. Tal efeito deve muito à magnífica montagem que concilia o jantar e o tango, e a nítida diferença entre os ambientes.
Um dia, dançarei tango tão bem quanto todos eles. Só não desejo a voz do McGregor porque aí também já é querer demais.
PS.: Quem estiver interessado, fiz uma resenha sobre o filme para o blog Set Ufam. Aqui.
domingo, 3 de abril de 2011
Nostalgia
— Então, o que você vai fazer com isso?
Pergunta difícil. Eu sei que faz anos desde a última vez. Tenho consciência de que esse tempo todo eles estavam dentro de caixas e sacolas, guardados na estante daquele quartinho empoeirado, onde todas as coisas velhas são jogadas. Mas agora eu não posso evitar de sentir saudades, nem de lembrar.
O jovem guerreiro que precisava salvar a princesa das garras do temível feiticeiro, e desfazer o feitiço que a aprisionava antes da última badalada da meia-noite – típico, eu sei. A espada de luz enviada pelos deuses, e que era a única arma capaz de duelar de igual para igual com a espada negra, enfeitiçada pelas mais tenebrosas maldições, forjada por escravos nas entranhas de montanhas feitas de fogo, e com um veneno letal impregnado em sua lâmina e o brasão de uma caveira em seu punho. A Rainha Branca, que deveria liderar seus peões na batalha do tabuleiro contra o Rei Negro, que havia seqüestrado o monarca branco e o prendera na Torre do Leste, um lugar gelado e isolado do resto do mundo, cuja entrada era guardada por duas estatuetas de cavalos encantadas. O leão que entrava numa guerra contra uma perigosa tigresa, que tentava seduzi-lo com ardis de toda espécie para lhe roubar o trono da selva.
A moto azul que pertencia à Corsária — até hoje me pergunto por que escolhi esse nome —, uma justiceira de capa vermelha que perseguia os malfeitores na calada da noite, e durante o dia servia milk-shakes na lanchonete. Depois de um tempo, a moto azul foi substituída pela moto verde, que era maior e mais bonita, e pertencia a Kelly — também não sei por que —, a caçadora de vampiros meio humana, meio vampira, e que, enquanto também conciliava sua vida dupla, deveria evitar que seu meio-irmão maligno encontrasse um livro que poderia ressuscitar Drácula e fazê-lo assumir o controle do universo – é incrível como alguém sempre quer dominar o mundo.
O enorme carro preto futurista que veio no Natal, e que supostamente era movido por controle remoto, se o controle não tivesse sido quebrado na primeira semana. O carro vermelho, também de design moderno e minimalista, que era sempre usado por um herói rico. Todas as dezenas de carrinhos usados em corridas perigosas por lugares muito além do chão da sala.
O Magneto, um vilão elegante, muitíssimo mais perigoso que o Magneto dos filmes, mais jovem e mais bonito. O Máskara, que veio de brinde com o xampu, com aquele sorriso congelado no rosto, os lábios verde-musgo e os olhos arregalados, e que, prestando atenção agora, me lembra seriamente a fusão do Coringa do Jack Nicholson com o do Heath Ledger, exceto por esse paletó amarelo-berrante e a gravata laranja com bolinhas pretas. De qualquer forma, ele não tem cara de herói, e deve ser por isso que sempre era um vilão, geralmente o poderoso chefão de um grupo de mafiosos nas ruas de alguma cidade carnavalesca — meu Deus, será que eu tinha síndrome de Joel Schumacher quando era criança?! Os Digimons, que nem sempre eram Digimons, já que era preciso fazer adaptações de vez em quando, dependendo da estória do dia. A Birdramon, por exemplo, chegou a virar uma fênix idosa, que deveria ser a guardiã da jovem filha do Deus-Sol, criada entre os humanos, longe do pai, sem saber de sua origem, para evitar que fosse encontrada pelo seu tio maquiavélico.
Todos os pedaços de brinquedos quebrados, que acabavam ganhando novas funções para que não fossem jogados no lixo sem dó nem piedade, como a asa esquerda da fênix, que se transformou em um espírito de fogo. Ou a capa do Batman, a única coisa que restou do homem-morcego — até hoje eu não sei onde aquele boneco foi parar —, que na falta de um corpo, foi reduzido a coadjuvante em estórias de fantasmas, até que decidi promovê-lo a líder, depois de algum tempo, com poderes especiais e terríveis. Até mesmo os pedaços de papel que viravam sereias, espadas e qualquer coisa que a mente podia conceber — e que depois a mãe jogava fora, porque ela não conseguia enxergar nada além de um pedaço de papel recortado. Ou aquele velho pedaço de cano preto que tinha sido usado como a bengala do Chaplin na feira da escola, e depois virou o cetro mágico do mais perigoso vilão que criei em toda minha existência, e do qual lembro até toda a trajetória de vida até hoje, digna de uma biografia cheia de detalhes.
As coleções de Rockanimal, Letronix, Circomix e tudo o que a revista Recreio inventava pra me fazer consumir. As pecinhas de Lego das quais surgiam castelos e naves espaciais. Os bonecos famosos, como o Buzz Lightyear, o Dexter, o Alladin, e que se metiam em infinitas continuações de seus filmes originais — Hollywood deveria ter me contratado, não sabem o talento que estavam perdendo para criar franquias intermináveis. Claro que não faltavam produções originais, até mesmo animações pensadas especialmente para a Disney, com músicas em inglês (entenda-se inglês aqui como palavras sem nexo criadas no momento em que eu me empolgava e, imaginando a cena, cantava a música de sua trilha sonora). Mas pra mim, as letras faziam o maior sentido.
E isso não é nem metade de tudo que está dentro dessas caixas e dessas sacolas. É a minha história, contada por mim e todos os meus amigos de plástico quando eu pulava com eles pelo quarto e fazia sons de feitiços sendo lançados e carros acelerando, e fazia a voz de cada um dos personagens em seus respectivos diálogos — e todo mundo em casa pensava que eu era doido ou autista, porque nunca tinham visto um menino tão estranho, que ficava fazendo esses barulhos esquisitos sozinho. Mas eu não estava sozinho.
Eles estavam ali, sempre que eu precisava. Eles estavam sempre dispostos a ouvir, e a construir comigo novos universos. E agora minha mãe me pergunta o que eu quero fazer com esse monte de coisa velha, e eu me sinto a pessoa mais culpada do mundo, por tê-los abandonado ali, e esquecido o quanto fomos felizes juntos. E como, apesar de todos os clichês – culpa da Sessão da Tarde, que perverteu minha mente com fórmulas repetidas, e até esse texto soa clichê agora –, eu era muito mais criativo naquela época do que sou agora. Me sentia o próprio Calvin. Me sentia capaz de fazer qualquer coisa, criar qualquer coisa, escrever sobre qualquer coisa. Onde foi parar a criatividade e a segurança agora, eu não sei mais.
Só sei que serei eternamente grato a eles por tudo isso. O destino deles é incerto, mas por enquanto ficarão aqui, não mais no quarto empoeirado, mas no meu quarto, onde eu posso observá-los e lembrar daquele tempo feliz, sem preocupações.
Tudo o que eu queria agora era poder encontrar alguém como a Bonnie, e me sentir seguro para deixá-los fazer essa outra criança tão feliz quanto eu fui.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Para aqueles que me enviam spams
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Trilhas Sonoras: Tarantino
Novo post! Lá no Ardil Usual. Vai lá: http://www.ardilusual.com/2011/01/trilhas-sonoras-sangue-royale-with.html
Obrigado pela compreensão, disponham sempre. :)